Família Vicentina

10 pontos da Comunicação Vicentina identificados no 9º Encontro Nacional da Pascom, em Aparecida

11 de setembro de 2026 Suerllen Marinho 59 visualizações

Participantes do 9º Encontro Nacional da Pascom, em Aparecida (SP)

10 pontos da Comunicação Vicentina identificados no 9º Encontro Nacional da Pascom, em Aparecida

O 9º Encontro Nacional da Pastoral da Comunicação (Pascom), realizado no Santuário Nacional de Aparecida (SP), reuniu cerca de 1.500 comunicadores de todo o Brasil, tornando-se a maior edição da história do evento. Com o tema “Evangelização em Movimento: a dimensão pastoral da comunicação”, o encontro promoveu momentos de espiritualidade, formação, assembleias, conferências e oficinas, reafirmando que a comunicação é uma dimensão essencial da missão evangelizadora da Igreja.

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Durante a Assembleia Nacional da Pascom, também foi eleita a nova coordenação nacional, que dará continuidade ao fortalecimento dos quatro eixos da pastoral: espiritualidade, formação, articulação e produção.

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Entre os principais destaques estiveram as reflexões sobre as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2026-2032), apresentadas por Dom Valdir José de Castro, que ressaltou a imagem da Tenda do Encontro como símbolo de uma Igreja acolhedora, sinodal e missionária.

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Conferencistas como Paolo Ruffini, prefeito do Dicastério para a Comunicação da Santa Sé, além de bispos, sacerdotes e especialistas, enfatizaram que a comunicação cristã deve nascer do encontro com Cristo, privilegiando a escuta, o diálogo, a promoção da dignidade humana e o uso ético das novas tecnologias, especialmente da Inteligência Artificial.

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A programação foi enriquecida por diversas oficinas voltadas à comunicação pastoral, espiritualidade, evangelização digital, comunicação não violenta, planejamento estratégico e inteligência artificial, oferecendo ferramentas práticas para fortalecer a missão dos agentes da Pascom.

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Ao final do encontro, foi anunciado que o 15º Mutirão Brasileiro de Comunicação (Muticom) acontecerá em 2028, no Rio de Janeiro, e que o Encontro Nacional da Pascom passará a acontecer a cada três anos. O evento encerrou-se com a convicção de que comunicar o Evangelho é, acima de tudo, testemunhar Cristo, construir pontes, promover encontros e colocar a comunicação a serviço da comunhão e da esperança.

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Embora o 9º Encontro Nacional da Pascom não tenha tratado explicitamente da espiritualidade vicentina, seus conteúdos dialogam profundamente com o carisma de São Vicente de Paulo. Em um dos intervalos, também foi anunciada uma Pós-graduação em Comunicação Católica a ser ministrada pela Faculdade Vicentina.

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A seguir estão os principais pontos de convergência:

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𝟭. 𝗔 𝗰𝗼𝗺𝘂𝗻𝗶𝗰𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗻𝗮𝘀𝗰𝗲 𝗱𝗼 𝗲𝗻𝗰𝗼𝗻𝘁𝗿𝗼 𝗰𝗼𝗺 𝗖𝗿𝗶𝘀𝘁𝗼

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Dom Valdir afirmou que toda comunicação da Igreja nasce do encontro com Cristo e da escuta da Palavra. São Vicente de Paulo insistia que toda missão começa na intimidade com Cristo, Evangelizador dos Pobres. Antes de agir, o missionário deve contemplar Jesus e procurar “com todas as forças revestir-se do espírito do próprio Cristo” (CC, 1, 1º). Assim, a Pascom Vicentina deve ser aquela que não comunica apenas notícias, mas comunica uma experiência de encontro com Cristo que leva ao serviço dos pobres.

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𝟮. 𝗔 𝗰𝗼𝗺𝘂𝗻𝗶𝗰𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗲́ 𝘀𝗲𝗿𝘃𝗶𝗰̧𝗼

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O encontro repetiu diversas vezes que comunicar não é apenas produzir conteúdo, mas colocar-se a serviço da evangelização. Este é um dos pilares vicentinos, uma vez que São Vicente dizia: “Amemos a Deus, meus irmãos, amemos a Deus; mas à custa de nossos braços, com o suor de nosso rosto” (SV BR XI, 41). Desse modo, a comunicação deixa de ser busca de reconhecimento e torna-se ministério. Vale a pena perguntar: minha comunicação serve ao Reino ou ao meu ego?

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𝟯. 𝗘𝘀𝗰𝘂𝘁𝗮𝗿 𝗮𝗻𝘁𝗲𝘀 𝗱𝗲 𝗳𝗮𝗹𝗮𝗿

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O documento das novas Diretrizes afirma que a comunicação nasce de um coração que sabe ouvir. Essa atitude lembra São Vicente, conhecido por ouvir longamente os pobres antes de agir. Na espiritualidade vicentina, escutar é amar; conhecer a realidade vem antes de apresentar soluções; e ninguém evangeliza sem primeiro aprender com as pessoas. Por isso, a Pascom Vicentina é aquela que ouve a comunidade, os afastados, quem sofre e quem nunca aparece nas redes sociais.

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𝟰. 𝗔 𝗰𝘂𝗹𝘁𝘂𝗿𝗮 𝗱𝗼 𝗲𝗻𝗰𝗼𝗻𝘁𝗿𝗼

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Paolo Ruffini afirmou: “A beleza da Pascom é fazer as pessoas se encontrarem”. Olhando para São Vicente, percebemos que ele viveu exatamente isso, pois toda a sua obra consistia em criar encontros: entre ricos e pobres; entre leigos e clero; entre quem podia ajudar e quem precisava. Logo, a comunicação vicentina deve ser uma ponte e nunca um muro.

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𝟱. 𝗖𝗼𝗺𝘂𝗻𝗶𝗰𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗰𝗲𝗻𝘁𝗿𝗮𝗱𝗮 𝗻𝗮 𝗽𝗲𝘀𝘀𝗼𝗮

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Inspirados na encíclica Magnifica Humanitas, do Papa Leão XIV, diversos palestrantes insistiram que a pessoa vale mais do que a tecnologia. Essa é uma linguagem profundamente vicentina. Para São Vicente, “os pobres são os nossos senhores e mestres” (SV BR XI, 402), ou seja, as pessoas vêm antes dos equipamentos, dos algoritmos, das curtidas e dos números. Uma Pascom Vicentina mede seu sucesso pela transformação das pessoas, não pelas estatísticas.

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𝟲. 𝗜𝗻𝘁𝗲𝗹𝗶𝗴𝗲̂𝗻𝗰𝗶𝗮 𝗔𝗿𝘁𝗶𝗳𝗶𝗰𝗶𝗮𝗹 𝗮 𝘀𝗲𝗿𝘃𝗶𝗰̧𝗼 𝗱𝗮 𝗱𝗶𝗴𝗻𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗵𝘂𝗺𝗮𝗻𝗮

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O encontro alertou que a IA deve servir à pessoa humana. O carisma vicentino acrescenta outro critério: a tecnologia deve servir especialmente aos pobres. Diante dessa premissa, vale a pena perguntar: a IA ajuda nossa comunidade a evangelizar melhor? Ela aproxima os mais simples? Facilita o acesso à Palavra de Deus? Ou apenas produz mais conteúdo?

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𝟳. 𝗜𝗴𝗿𝗲𝗷𝗮 𝗲𝗺 𝘀𝗮𝗶́𝗱𝗮

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As novas Diretrizes utilizam a imagem da Tenda do Encontro (Doc. CNBB, 114, p. 21). São Vicente viveu essa Igreja em saída quase quatro séculos antes. Ele não esperava os pobres chegarem; ia aos campos, hospitais, prisões, aldeias e periferias. Hoje, a Pascom também precisa sair: não esperar apenas que as pessoas procurem a Igreja, mas ir ao encontro delas também no ambiente digital.

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𝟴. 𝗙𝗼𝗿𝗺𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗽𝗲𝗿𝗺𝗮𝗻𝗲𝗻𝘁𝗲

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Com o objetivo de contemplar o maior número de aspectos do tema geral, foram oferecidas inúmeras oficinas de comunicação. São Vicente repetia: “O amor é inventivo até o infinito” (SV BR XI, 150). Essa criatividade exige formação constante.

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Por isso, insistimos em dizer que a Pascom Vicentina não improvisa. Ela estuda o carisma, a comunicação, a espiritualidade, a liturgia, a inteligência artificial, a fotografia, o jornalismo, a evangelização digital, os documentos da Igreja, a Sagrada Escritura e a realidade onde está inserida, pois, para servir melhor, exige-se uma boa preparação.

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𝟵. 𝗘𝘀𝗽𝗶𝗿𝗶𝘁𝘂𝗮𝗹𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗮𝗻𝘁𝗲𝘀 𝗱𝗮 𝘁𝗲́𝗰𝗻𝗶𝗰𝗮

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O encontro reafirmou que a espiritualidade é o fundamento da comunicação. São Vicente nos recorda que a graça de Deus faz tudo: “sem Ele nada teríamos podido fazer” (RC XII, 14). Assim, a Pascom Vicentina tem claro que, antes da câmera, vem a oração; antes da postagem, o discernimento; antes da técnica, a caridade.

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𝟭𝟬. 𝗗𝗲𝘀𝗮𝗳𝗶𝗼𝘀 𝗲𝘀𝗽𝗲𝗰𝗶́𝗳𝗶𝗰𝗼𝘀 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗮 𝗣𝗮𝘀𝗰𝗼𝗺 𝗩𝗶𝗰𝗲𝗻𝘁𝗶𝗻𝗮

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- Comunicar mais testemunhos do que eventos.

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- Dar voz aos pobres e invisibilizados.

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- Mostrar as obras de caridade como expressão do Evangelho.

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- Humanizar as redes sociais da comunidade.

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- Integrar comunicação e missão popular vicentina.

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- Valorizar os leigos como protagonistas da evangelização.

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- Fazer da comunicação uma forma concreta de serviço aos que mais precisam.

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- Utilizar as novas tecnologias sem perder as virtudes próprias do carisma vicentino: humildade, simplicidade, mansidão, mortificação e zelo apostólico.

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Os membros do Departamento de Comunicação da Sociedade de São Vicente de Paulo e Pe. Cléber Fábio Teodósio, CM, da Congregação da Missão, que participaram do encontro, chegaram à conclusão de que o discutido no 9º Encontro Nacional da Pascom confirma que a comunicação e a espiritualidade vicentina caminham na mesma direção: ambas nascem do encontro com Cristo, valorizam a escuta, colocam a pessoa no centro, promovem a comunhão e transformam a comunicação em serviço.

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Para uma Pascom inspirada em São Vicente de Paulo, cada fotografia, notícia, vídeo ou transmissão deve ser mais do que informação: deve tornar visível a caridade de Cristo e aproximar especialmente os pobres da experiência do Evangelho. O convite agora é colocar em prática o aprendido, promovendo uma comunicação vicentina efetiva e afetiva junto às nossas casas e obras.

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𝗣𝗲. 𝗖𝗹𝗲́𝗯𝗲𝗿 𝗙𝗮́𝗯𝗶𝗼 𝗧𝗲𝗼𝗱𝗼́𝘀𝗶𝗼, 𝗖𝗠

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𝘙𝘦𝘴𝘱𝘰𝘯𝘴𝘢́𝘷𝘦𝘭 𝘱𝘦𝘭𝘢 𝘊𝘰𝘮𝘶𝘯𝘪𝘤𝘢𝘤̧𝘢̃𝘰 𝘗𝘉𝘊𝘔

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Pe. Cléber Fábio Teodósio, CM, e comunicadores vicentinos no 9º Encontro Nacional da Pascom

10 pontos da Comunicação Vicentina identificados no 9º Encontro Nacional da Pascom, em Aparecida